
SEBASTIÃO AMADEU FELIX DA ROCHA
Em Memória de Sebastião Amadeu Felix da Rocha:
Uma Vida de Trabalho, Amor e Valores Inabaláveis
É com profundo pesar que nos despedimos deste homem tão especial, mas cuja vida e legado permanecerão vivos em nossos corações. Nascido em 21/01/1949, filho de Joaquim Felix da Rocha e Ana Felisbina da Rocha e irmão de mais 12 pessoas tão especiais quanto ele. Também foi marido, pai, tio e amigo. Trilhou uma jornada marcada pela dedicação à família, pelo amor imensurável ao trabalho, por uma fé inabalável, sendo um exemplo de respeito, caridade e amor incondicional ao próximo.
Desde cedo, Ti Tião, Tiaozinho, Mineiro, entre outras várias formas carinhosas com que era nominado, demonstrou um grande amor pelo trabalho. Para ele, o trabalho não era apenas uma obrigação, mas uma vocação, uma forma de cuidar de sua família, de construir, de se realizar e de ser digno. Essa paixão o acompanhou por toda a vida, desde seus primeiros anos na roça juntamente com seu pai e seus irmãos, até sua trajetória na vida adulta trabalhando ainda na roça e depois como auxiliar de produção, meio oficial de manutenção, agente de passagens e caminhoneiro. Ele dizia que se lhe faltasse tudo, mas tivesse a proteção de Deus e força para trabalhar ele não teria medo nenhum. Mesmo após a aposentadoria, seu espírito incansável o levou a continuar trabalhando como jardineiro, uma atividade que amava e fazia como ninguém. Ele cuidava do quintal de muitas pessoas, inclusive o de sua casa, com carinho e maestria admiráveis, mantendo-o sempre limpo, organizado e “vivo”. Seu último pedido, antes de sair de casa para o hospital, de onde não voltaria mais, foi que a jabuticabeira nos fundos de sua casa fosse podada o mais rápido possível, pois estava precisando ganhar força para dar frutos melhores, mais doces e em maior quantidade. Um gesto que traduzia sua essência: sempre olhando para o futuro, para o crescimento e para a doçura da vida.
Como todo ser humano, Ti Tião tinha seus dias difíceis, de estresse e de irritação. Era muito ansioso e de gênio forte, mas sua essência era de um homem gentil, extremamente cavalheiro, muito simpático e disponível para seu próximo. Possuía um espírito bem-humorado que desarmava qualquer ambiente. Quando se reunia com os irmãos, sobrinhos, parentes em geral e outras pessoas com quem tinha mais intimidade, a qualquer momento podia surgir uma brincadeira, uma piada, umas histórias engraçadas que eram sempre garantia de bons momentos. Muitas e muitas vezes o pegamos gargalhando sozinho porque havia se lembrado de um sonho engraçado que teve, de um momento que tinha visto ou vivido com outras pessoas, de uma “arte” que tinha “aprontado” com seus irmãos e colegas de trabalho, entre outros. Essa leveza, combinada com uma seriedade quando a situação pedia, era uma de suas marcas registradas.
Ti Tião também era um homem de profundas paixões: além do trabalho em si, amava de modo especial o trabalho no campo, os animais e tudo o que a vida lhe oferecia e amava tocar violão. Longe de ser um músico ele tocava sozinho, nos momentos livres, ou com os irmãos e sobrinhos, o que preenchia nossos lares com a melodia acolhedora da música caipira. Era quando sua alma encontrava refúgio e sua alegria transbordava. Sempre que pegava o violão, a primeira música que tocava era Castelo de Areia com Teodoro e Sampaio. Mesmo morando na zona urbana nos últimos anos, quase sempre tinha um casal de garnisé pra cuidar ou criava seus franguinhos que depois seriam degustados em família, com uma boa polenta que era uma de suas comidas preferidas. Sem contar que, como se diz, “lambia os beiços” por uma boa quirera com costelinha de porco.
Não podemos deixar de destacar aqui o amor pelo Garnisé que ele chamava de Zico. Quando o Zico cantava, trazia o sorriso aos lábios do Ti Tião por criar na casa da cidade aquela atmosfera de casa no sitio. E tem também a linda Kiara, a cachorrinha marrom tão esperada. Foi difícil encontrá-la, mas ela chegou linda e marrom, como ele queria, e também muito amorosa trazendo muitas alegrias para todos na casa e principalmente pra ele que, em seus últimos meses de vida, recebia dela todas as manhãs, ao lado da sua cama, um bom dia canino.
Mas talvez o traço mais marcante dele fosse seu respeito incondicional pelos mais velhos e seu imenso amor ao próximo. Ele tinha uma consideração ímpar pelos idosos, sempre disposto a ouvir e a aprender com a sabedoria que a idade trazia. Passou por cima do cansaço do dia a dia e cuidou do seu sogro até seu último dia de vida, com respeito e muito amor. Com o tempo, esse cuidado foi se estendendo a outras pessoas que necessitavam e com quem ele procurava estar sempre presente de alguma forma: uma palavra amiga, a companhia para um bate papo e algumas risadas, o apoio para um banho ou para fazer a barba, uma noite como acompanhante de alguém no hospital, entre tantos outros tipos de ajuda.
Sua generosidade não conhecia limites; ele era daqueles que deixava de fazer algo por si mesmo para estender a mão aos outros. Quantas vezes o vimos ajudando um vizinho, resolvendo um problema para um parente, emprestando o pouco que tinha para alguém que precisava, fazendo um presente de coisas que produzia em sua horta para alguém que não estava bem, tentando levar um pouco de conforto. Essa bondade altruísta deixou um rastro de gratidão e admiração por onde passou.
Ti Tião juntamente com sua esposa Tia Cida (conhecidos assim pelo grande número de sobrinhos) foi muito acolhedor no real sentido da palavra. Quando mais jovem, constantemente acolhiam em sua casa algum parente que precisava, ora do lado de sua família de origem, ora da família de sua esposa, e depois algum amigo de parentes, e sobrinhos entre tantos outros. E esse movimento na casa preenchia os dias dele e da família inteira de uma maneira que, todos que passaram por lá acabaram sendo considerados como filhos ou irmãos, na certeza de poderem contar sempre uns com os outros.
Mesmo diante das maiores dificuldades da vida, Ti Tião se mantinha de cabeça erguida. Sua força era notável, inclusive quando enfrentou a dor inimaginável de perder um filho tão sonhado. Nos momentos de profunda tristeza, ele sempre nos dizia para levantarmos a cabeça e nunca perdermos a fé diante de qualquer circunstância. Sua fé era sua força, uma rocha em meio às tempestades, e esse foi um dos maiores ensinamentos que nos deixou. Tamanha era esta fé que superou o primeiro câncer e enfrentou o segundo (mais invasivo e avançado) com bravura e esperança, na certeza de que venceria qualquer luta ao lado de Deus.
DEUS era seu refúgio e a oração representava a sua corrida rumo aos SEUS BRAÇOS. E como queria sempre estar perto de Deus corria (rezava) constantemente: na saúde, na doença, na alegria, na tristeza, pedindo ou agradecendo. Em seus últimos dias de vida, mesmo com todo sofrimento em uma Unidade de Terapia Intensiva se podia perceber seus lábios que se movimentavam em preces.
Como marido para Dona Cida por 54 anos, ele foi um exemplo de companheirismo e amor, sempre repetindo que, se tivesse que passar por tudo de novo, escolheria ela outra vez. Como pai para Silvia, Lucas e Serginho (in memória) ele foi o alicerce, a proteção, a direção. Com seu jeito austero, mas com o coração cheio de amor e responsabilidade na sua função de PAI, ensinou o valor do trabalho, da honestidade, da disciplina e da perseverança. Com seu humor, sua fé e seu amor, mostrou a importância da união e da alegria em família. Seu impacto se estendeu além do círculo familiar, alcançando amigos, parentes dele e de sua esposa, colegas de trabalho e vizinhos que sempre o tiveram como um exemplo de caráter e integridade.
Ti Tião nos deixou em 19/05/2025, aos 76 anos. Não quis ou não lhe foi permitido por Deus partir diante dos seus filhos, esposa ou genro, mas partiu diante da sobrinha que teve uma importância imensurável nos seus últimos meses de vida e que provavelmente tinha esta missão com ele. Mesmo muito doente e debilitado fisicamente continuava com presença forte, firmeza, fé, otimismo e, claro, com um bom humor que mesmo diante do sofrimento ele não perdeu. Então, sua partida nos deixou um vazio enorme, um sentimento de perda como se todos nós tivéssemos perdido a luta junto com ele.
As lembranças de sua vida plena de significado, de suas risadas, de seus ensinamentos, da sua paixão pela terra e do seu coração generoso serão o nosso eterno consolo. Aqui e agora, compartilhando um pouco da sua história, aos poucos vamos entendendo que a sua partida não foi uma derrota para o câncer, mas apenas a conclusão da sua missão entre nós. Um momento doloroso porque nós o queríamos por mais tempo ao nosso lado. Mas a maior prova da sua vida vitoriosa é o exemplo que ele foi e sempre será para nós. Certamente, ele será lembrado com carinho e saudade por todos que tiveram a GRANDE HONRA de conhecê-lo e de fazer parte de sua história. E que vitória pode haver maior que essa? Ti Tião estava certo, com a fé em Deus, ele não perdeu nenhuma de suas lutas e cumpriu bem a sua missão.
É em nome dele que nós, sua esposa, seus filhos e seu genro, gostaríamos de agradecer e abraçar a cada um que fez parte da sua história, desde aqueles que lhe conduziram no início da vida até aqueles que estiveram com ele nos seus últimos momentos; agradecemos a todos da sua família Rocha e a todos da família Bonfim Ribeiro; agradecemos aos colegas de trabalho, aos vizinhos, aos amigos e aos conhecidos. De alguma forma, todos deixaram sua marca nele e também foram marcados por ele. Nossa eterna gratidão a cada um que fez um movimento para ajudá-lo e para nos ajudar, para apoiá-lo e para nos apoiar, para proporcionar a ele um pouco mais de acolhimento, conforto e alegria. Pessoas de Longe, pessoas de perto... NOSSA GRATIDÃO E UM ABRAÇO DO TI TIÃO.
21/01/1949
19/05/2025







