
THIAGO VINICIUS DA SILVA
Um velho cruza a soleira de botas longas, de barbas longas
De ouro o brilho do seu colar, na laje fria onde coarava
Sua camisa e seu alforje de caçador
O meu velho e invisível, Avôhai
O meu velho e indivisível, Avôhai
Neblina turva e brilhante em meu cérebro, coágulos de sol
Amanita matutina e que transparente cortina ao meu redor
Se eu disser que é mei sabido, você diz que é mei pior
Mas e pior do que planeta quando perde o girassol
É o terço de brilhante nos dedos de minha avó e nunca mais eu tive medo
Da porteira nem também da companheira que nunca dormia só
Avôhai, Avôhai, Avôhai, Avôhai
O brejo cruza a poeira de fato existe um tom mais leve
Na palidez desse pessoal pares de olhos tão profundos
Que amargam as pessoas que fitar, mas que bebem sua vida
Sua alma na altura que mandar são os olhos, são as asas cabelos de avôhai
Na pedra de turmalina e no terreiro da usina eu me criei
Voava de madrugada e na cratera condenada eu me calei
E se eu calei foi de tristeza você cala por calar
Mas e calado vai ficando só fala quando eu mandar
Rebuscando a consciência com medo de viajar
Até o meio da cabeça do cometa girando na carrapeta
No jogo de improvisar entrecortando eu sigo dentro a linha reta
Eu tenho a palavra certa pra doutor não reclamar
Avôhai, Avôhai.
29/08/1984
19/03/2021







